Junho 2018ver na web


Neste mês: os números de dois anos de governo Temer, o gênero e a idade dos mestres e doutores brasileiros, um histórico do preço dos combustíveis no país e mais.

EM DETALHE

O apoio no Congresso, as votações, a aprovação: dois anos de Temer, em números

No dia 12 de maio, o governo do Presidente da República, Michel Temer, (MDB) completou dois anos. Desde o início de seu mandato, iniciado em decorrência do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), sua gestão tem sido marcada por crises políticas, pautas reformistas e denúncias no Congresso.

Naquela data, o Nexo publicou um gráfico analisando a variação de diferentes indicadores ao longo desses anos e traçando um panorama da relação do governo com o Congresso, com a população e com seus próprios ministros. O primeiro indicador analisado foi a aprovação popular:

Esse gráfico traz os dados das pesquisas do Datafolha, incluindo a mais recente, e mostra que, com apenas 3% da população avaliando seu governo como “ótimo” ou “bom”, Temer é o presidente com o menor índice de aprovação desde o fim da ditadura. O índice é menor do que o de Sarney, com 5%, e ainda do que o de Dilma Rousseff, que chegou a ter apenas 8% de aprovação no auge da crise política que levou a seu afastamento.

Se, por um lado, o apoio da população é baixo, por outro, a influência do governo sobre o Congresso é alta, o que é evidenciado pelos altos índices de congruência nas votações dos partidos com o Planalto:

Analisando como os deputados votaram em média em diversas pautas, contra ou a favor da posição do governo, é possível observar que 22 partidos votaram mais de 75% das vezes com o governo. Dentre as grandes legendas, PSDB, PP e DEM foram as mais fiéis ao presidente. Já o PT e partidos menores de esquerda, como PSOL e PCdoB, constituíram a principal oposição parlamentar a Temer. Outros partidos, como o PSB, começaram na base governista, deslocando-se com o tempo para a oposição.

Tendo esse forte apoio parlamentar, o governo conseguiu aprovar pautas importantes de sua agenda — como a PEC do Teto, a Lei da Terceirização e a Reforma Trabalhista. Temer também escapou de duas denúncias contra ele apresentadas pela Procuradoria-Geral da República em decorrência da delação dos donos do frigorífico JBS. Com o aumento da reprovação de Temer, uma das principais pautas do governo, a Reforma da Previdência, foi abandonada por falta de apoio dos parlamentares.

Nos gráficos, que podem ser conferidos no link abaixo, são também mostrados outros indicadores como a rotatividade dos ministros do governo (e como ela coincide com eventos da crise política) e o calendário de viagens presidenciais. Além disso, há uma comparação entre o voto dos partidos nas denúncias contra Temer e no impeachment de Dilma.

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OUTROS QUADRANTES

Em 1970, elas representavam menos de 20% dos mestres e doutores no Brasil. Hoje são maioria

Nestes gráficos, o Nexo parte de dados do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para analisar a distribuição de gênero e a faixa etária dos mestres e doutores brasileiros. É possível observar um aumento na proporção de mulheres que concluem a pós-graduação: em 1970, elas representavam menos de 20% do total, a partir do início da década de 2000, elas passaram a ser a maioria.

Os dados consideram as informações disponibilizadas pelos próprios pesquisadores na plataforma de currículos acadêmicos Lattes até novembro de 2016. Analisando as áreas de estudo, as mulheres predominam na saúde, nas biológicas e nas relacionadas a educação. Os homens são maioria principalmente nas engenharias e nas áreas ligadas a direito e a negócios. Em relação à idade, o mais comum é que os mestres tenham entre 30 e 34 anos, enquanto doutores tenham entre 35 e 39 anos.

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Mais celulares do que gente: número de linhas móveis dispara no Brasil e no mundo, desbancando os telefones fixos

Com o surgimento das tecnologias de telefone celular, o telefone fixo passou a ser progressivamente substituído pelas linhas móveis. Isso é demonstrado neste gráfico do Nexo, que utiliza dados da União Internacional de Telecomunicações indicando que há hoje mais contas ativas de celular do que habitantes na maioria dos países do mundo — no Brasil, são 117 linhas para cada 100 habitantes. As exceções são os países da África Subsaariana, que ainda contam com baixo acesso à telefonia em geral.

A evolução do número de linhas de telefone fixo se deu lentamente desde a década de 1960, entrando em declínio com a chegada dos celulares. No Brasil, eram quase 42 milhões de linhas em 2016 (65 vezes mais do que em 1960). Um número ainda assim menor do que o máximo registrado de 45 milhões de linhas, três anos antes. Atualmente há seis linhas móveis para cada linha fixa no país.

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DO ARQUIVO

Combustíveis atingem o maior valor na bomba desde 2001, mas esse valor não é real

O debate sobre o preço da gasolina voltou à tona com a greve dos caminhoneiros, iniciada em decorrência do aumento no preço do diesel. Neste gráfico, publicado pelo Nexo em outubro do ano passado e atualizado com dados mais recentes, é exibida a evolução histórica dos preços dos combustíveis nos postos, desde 2001, com base no levantamento de preços feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Em abril de 2018, o valor da gasolina nas bombas chegou a cerca de R$ 4,20, enquanto o diesel se aproximou de R$ 3,50, os maiores preços registrados nos postos no período. No entanto, corrigindo os valores pela inflação, outro movimento é visível: uma tendência de queda no preço da gasolina e do diesel desde 2006, com um aumento recente, a partir de 2018.

Os preços dos combustíveis no Brasil são fortemente influenciados pelas decisões da Petrobras, empresa que domina o mercado interno. Recentemente, a gestão de Pedro Parente, escolhido pelo governo federal para presidir a empresa e que deixou o cargo no início deste mês no contexto da crise dos caminhoneiros, passou a estabelecer os preços a partir da cotação do barril de petróleo no mercado internacional em dólares, gerando aumentos sucessivos nas bombas.

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NO RADAR

‘Canalhas’, ‘machistas’, ‘recessão’: as palavras mais usadas pelos presidenciáveis no Twitter

Nesta análise dos tuítes dos pré-candidatos à Presidência feita pelo Estadão, são apresentados os termos que os presidenciáveis mais usam na rede social. O levantamento levou em conta 15 mil postagens e apresenta gráficos que demonstram quanto cada termo foi usado e quão típico ele é para cada pré-candidato.

Entre os principais concorrentes, Bolsonaro mobiliza um discurso mais ideológico, Marina posta sobre meio ambiente, Ciro ainda usa pouco o Twitter e Alckmin fala sobre obras e resultados do governo de São Paulo. Já Lula, cuja candidatura ainda é incerta, tem uma conta bastante ativa na rede social e frequentemente reproduz trechos de seus discursos nas postagens.

> Veja o gráfico na íntegra

        

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